A televisão em sua natureza, é composta por inúmeras linguagens: (apresentações musicais, dramaturgia, esporte, jornalismo). Cada um desses eventos audiovisuais se apresenta de uma forma única e faz uso de certos recursos cenográficos, determinados em função da especificidade do gênero. As diferentes tipologias cenográficas orientam determinadas configurações espaciais.
É dada a denominação de topologia quando houver referência unicamente ao espaço físico, ao local de encenação. Quando se trata de diversos aspectos o termo utilizado é tipologia.
Orza indica três possíveis tipos de espaço de representação na televisão em que se podem observar as relações estabelecidas entre distintas tipologias e determinadas topologias:
O cenário no Espaço / Tempo
(1) Discurso Referencial / Espaços Reais; (2) Discurso Ficcional / Espaços Reais Representados; (3) Discurso de Hibridação / Espaços Fingidos. No primeiro grupo aparecem os programas de telejornalismo que apresentam alto grau de concordância com o campo de referência externo. No segundo grupo aprecem os programas de ficção, onde predomina o campo de referência interno. Já no último grupo estão os programas que ficam no limite da realidade e da ficção.
Segundo Orza, não é possível afirmar que determinado programa esteja limitado a certa topologia, acreditar nisso seria eliminar a possibilidade de inovações na televisão. Orza auxilia ao indicar uma forma de categorização dos diferentes tipo de de representações cenográficas que são encontrados na televisão.
- Espaços Naturais: locações, que podem ser externas - ruas, praias, praças etc. - ou não – repartições públicas, salões de museus, teatros etc. Estão contidos também nesse grupo os ambientes da natureza ou as edificações feitas pelo homem, espaços que possuem função própria independentemente da gravação do programa ou da captação das imagens, ou sejam não foram construídos com essa finalidade e podem ser usados como cenários nas novelas, telejornais etc.

Gravações para a novela TI- TI -TI em praia carioca
- Espaços Naturais Representados: Cenários construídos, cenários virtuais, que podem estar em estúdios, em cidades cenográficas. Utilizam sempre como modelo os espaços naturais,contudo apesar de serem na maior parte das vezes cópias fiéis desses espaços, servem somente à encenação. Predominam nas telenovelas e de certa forma em toda teledramaturgia e também em programas humorísticos entre outros.
- Espaços Imaginários: ambientes fantasiosos, que não utilizam como referência espaços naturais. Estão presentes em programas de auditório, infantis, telejornais etc.
O cenário como fundo
O cenário deve ser pensado como um elemento cujo principal objetivo é valorizar os gestos, movimentos e a fala do ator, apresentador, jornalista, animador etc. Deve portanto na maioria das vezes assumir o papel de fundo da cena. A imagem televisual, como representação bidimensional apresenta-se na sua forma mais elementar, pela relação figura – fundo. Nessa relação o cenário ocupará na maioria das vezes, a posição de fundo. A figura por sua vez, representada como uma pessoa – ator, apresentador, convidado, entrevistado, entrevistador etc. -,como animais, objetos ou,
até mesmo, partes do cenário. Cabe ao cenário como fundo, valorizar a figura, fazer com que o telespectador consiga segregar as partes da imagem e fixar a vista em um único ponto.
Os elementos de configuração do cenário
Os palcos dos programas de auditórios – mesmo os instalados em estúdio – possuem topologias muito próximas às dos palcos teatrais. Nesse tipo de espaço cênico é importante que a cenografia considere o ponto de vista da platéia que assiste ao programa ao vivo, e não só a do público que está em casa em frente a televisão – basta dizer que theatron, termo grego que dá origem ao nome teatro,significa lugar de onde se vê.
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| Cenário do Programa Caldeirão do Huck |
Ainda que muitos programas sejam produzidos em palcos com topologia teatral, os ambientes cenográficos televisivos localizam-se predominantemente em estúdios e cidades cenográficas.
O desmonte do cenário acontece em grande parte, logo depois da apresentação ou gravação e os estúdios quase sempre são utilizados como espaço para mais de um programa televisivo.
A tela videográfica
Muitos acreditam que a imagem televisiva está capacitada apenas para aceitar pouca quantidade de informação, por ser composta simplesmente por pontos-luz (pixels), vermelhos, verdes e azuis que se distribuem na tela compondo o quadro videográfico, mas algumas experiências feitas nos últimos anos têm colocado em dúvida certas crenças como a limitação no uso de determinadas texturas, materiais e padrões de tecido,em especial listras e xadrezes, assim como o uso de cores em especial o vermelho e tons saturados.
Os novos processos de captação, transmissão e recepção da imagem, entre os quais se incluem o sistema digital e as telas de alta resolução trouxeram para nossa tela as texturas extremamente detalhadas dos salões da aristocracia portuguesa, as cores saturadas e contrastantes da residência de Rui e Vani e as listras, flores e os xadrezes das roupas de Agostinho (A Grande Família).

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